Dia final da viagem. Agora só tinha estrada boa pela frente. Raposo Tavares e Castelo Branco. Tomei meu café da manhã no Hotel Yara, arrumei e moto e estrada.
Voltei a pagar pedágio depois de muito tempo. Desde o primeiro dia não pagava. Mas aqui o retorno é claro.
Foram 3 abastecimentos. No último, próximo a Avaré, encontrei um motociclista Colombiano, Juan. Ele me pediu ajuda para chegar a Santos. E decidi ir com ele até o Rodoanel antes de voltar pra casa. Dia lindo, estrada boa e mais uma motocada perfeita.
Foi mais uma viagem memorável. Conheci lugares novos, curti muito o rolê de moto e os novos países conhecidos.
Incrível que absolutamente tudo deu certo. Não tive problemas mecânicos, não houve corrupção policial ou de agentes públicos, não tive um incidente de risco sequer na pilotagem e os locais em que decidi fazer turismo, valeram muito a pena. Curti Machu Picchu e desmistifiquei a Bolívia. Lugar de gente muito boa.
Apenas o GPS voltou manco. Mas certamente eu o recuperarei.
Agradeço por mais esta oportunidade de fazer a minha “higiene mental”. E a minha família por estar sempre ao meu lado.
Foi show! Sensação boa demais de realização.
O meu odômetro, zerado aqui na garagem quando saí, marcou incríveis 9.999,7 kms. Ou seja, por 300 metros não deu 10 mil kms.
Fiz um trailler de 3 minutos com os videos da camera do capacete. Esta no YouTube no link:
Rota realizada. Bem diferente da planejada. Percebam aqui a minha ida ate o Paso San Francisco (que estava fechado) depois o retorno por Cafayate e através do Paso Jama. Apesar da volta, valeu a pena passar por essa região. O retorno pela Bolívia, apesar de não estar no planejamento original no inicio deste blog, sempre foi considerado por mim uma possibilidade.
Hotel Yara em Presidente EpitácioJuan, colombiano que está fazendo o contorno no BrasilTrocamos adesivosFaltou 300 metros para 10 mil kmsO trabalho de desmonte e SPA já começou
Acordei com dor se garganta devido ao ar condicionado. A mudança de temperatura foi brusca nos últimos dois dias.
Fui para o café da manhã e depois voltei para arrumar as coisas na moto.
Aliás, nessa viagem tenho sempre feito a prática do “check de abandono” para ver se não esqueço de nada. Isso me salvou duas vezes já nesta trip. Este termo era muito usado por um saudoso amigo, Leonardo Bollentini, em viagens. Figurassa que faz bastante falta!
Sai de Corumbá com destino há definido, Presidente Epitácio em São Paulo. Apesar da longa distância, as estradas são excelentes e a viagem rende. Nesta trip, o troféu melhor qualidade do pavimento está sem dúvida com o Brasil (nos trechos que eu rodei).
Na saída de Corumbá ainda pode-se notar resquícios da chapada que tem na Bolívia. Bonito também. Atravessei a estrada que corta o Pantanal e as 13 hs já estava em Campo Grande. Abasteci e já peguei a saída para São Paulo.
Estradas boas, retas e que passam por planícies cultivadas e grande extensão. Quando chegou o final da tarde, a qtde se insetos era enorme. Isso mostra o quão fundamental é o parabrisa. Minha viseira do capacete está sem um mosquito.
Cheguei no final do por do sol ao Posto da Ponte em Presidente Epitácio, ao lado do Rio Paraná. Ano passado estive aqui com o Ítalo num passeio pela região. Comi o tradicional x-filé + suco de laranja e depois vou para um hotel descansar.
Agora falta pouco. Dando tudo certo, amanhã estou em casa.
A moto, minha companheira guerreira, está perfeita. Tudo ok! Nada até agora! Parece que gosta tanto qto eu destas trips. Ponta firme!
Guerreira me aguardando em Campo Grande. Performance invejável!
Cemitério de insetosEu no posto da ponte aguardando um X-File.
Sta Cruz é uma cidade parecida com Campo Grande. Só que mais quente creio. No dia anterior em La Paz dormi com aquecedor devido as temperaturas em torno de zero grau, hoje dormi com ar condicionado. Extremos…
Estava cansado e dormi cedo. Acordei às 6:30 e desci para tomar café. Ainda não estava pronto. Enquanto esperava, aproveitei para dar um “tapa” no visual da moto. Ela merecia por ter sobrevivido a difícil jornada de ontem. Acabou dando uma melhorada…
Fato interessante é uma história do administrador do hotel, Fernando. Ele até me ajudou ali no tapa da moto para aproveitar o papo furado (muito gente boa).
Ele é engenheiro civil de formação. Boliviano, ele era funcionário da empresa brasileira Camargo Corrêa (se não me engano) nas ações e empreendimentos na Bolívia. Com a confusão toda e o escândalo das empreiteiras no Brasil no caso da Lava-jato, ele e outros amigos acabaram perdendo o emprego devido a redução do tamanho da empresa.
Vi muitos chineses no hotel. Segundo o Fernando, empreiteiras chinesas pegaram muitas obras públicas na Bolívia e dominam hoje o que empresas brasileiras ocupavam.
A diferença, segundo o Fernando, é que os chineses não empregam Bolivianos. Trazem pessoas da China. Até para o trabalho de peão. Lamentou ele.
Concordo com a lava-jato, mas existe um outro lado como esse apresentado. Uma pena!
Sai de Sta Cruz tranquilamente. Cidade mais pujante economicamente das que passei na Bolívia. Ao redor dela, muitas grandes plantações (creio serem de soja) e inúmeros galpões.
Logo já estava de volta a Ruta 4 que me levaria de volta ao Brasil. No trevo de acesso a ela, um monumento ao “Corredor bi-oceânico”, nome dado a ela por ligar Brasil (Atlântico) ao Peru (Pacífico). Estrada excelente. Em sua imensa maioria com um piso perfeito. Aqueles de concreto com pequenas ranhuras transversais.
Ao contrário de ontem, hoje às estradas eram excelentes. O calor bateu os 40 graus. Incrível. Estava derretendo na moto. Gosto de viagens no inverno para evitar o calor. Bom, hoje isso não funcionou!
Perto da cidade de Roboré há uma região de cânions e chapadas muito bonita e próxima da estrada. Dizem que há turismo e trilhas na região. Chama-se Serranias Chiquitanas.
Cheguei sem grandes problemas a Puerto Quijaro na fronteira com o Brasil. Fiz os trâmites de saída e fui para Corumbá ali do lado.
Comi um peixinho no Espeto se Ouro e voltei para descansar.
Hoje foram 650 kms bem tranquilos.
Curti a Bolívia, apesar do difícil trecho de ontem. Foi o local onde melhor fui recebido. Não senti receios ou possibilidades de violência e corrupção policial. Na verdade, rodei mais tranquilo do que aqui no Brasil.
A questão que metem o pau na Bolívia sobre cobrar o dobro do preço da gasolina para estrangeiros é história distorcida. O que ocorre é que faz alguns anos, a Bolívia decidiu subsidiar o preço da gasolina. Um programa de governo para ativar a economia. Hoje ela custa 3,70 bolivianos para um boliviano (algo como 2,40 reais o litro). Quando isso entrou em prática, cidadãos da fronteira com Brasil, Argentina, Peru e Chile começaram a cruzar a fronteira para comprar combustível barato e subsidiado pelos impostos pagos pelos bolivianos. O governo Bolívia então decidiu acabar com isso. Pois não era justo estrangeiro comprar gasolina subsidiada pelos bolivianos. Então criou-se um sistema para que os estrangeiros comprassem gasolina sem subsídio. É justo, não?
O estrangeiro paga 8 bolivianos no litro, cerca de 4,80 reais. Preço similar ao daqui. Para uma gasolina melhor.
Essa é a história. Há muito mito e “fake knews” sobre esse assunto.
Ainda não defini até onde vou amanhã. Mas devo chegar em casa em São Paulo no final da tarde se Sábado, 15/06/2019.
Moto depois de um leve tratoV-Roder babãoFerramental sofisticadoPlaca no acesso a ruta 4 por Sta Cruz de La SierraQualidade do pavimento. Grande parte do trajeto foi nesse tipo. Excelente!Cânions na região de Roboré
Cânions na região de Roboré 2
Formações nas Serranias Chiquitanas perto da fronteira com o Brasil
40 graus. Estava bem quente!Fronteira Bolívia/Brasil ainda de diaHotel Santa Rita em Corumbá
Nem tanto pela quilometragem de 850 kms. Mas hoje foi um grande desafio para mim e para a moto.
Sai de La Paz as 8 da manhã ao clarear. Os primeiros 250 kms foram de pista dupla e muito boa. Temperatura oscilando entre zero e 5 graus.
Inicialmente a paisagem era de altiplano. Sempre na faixa dos 4 mil metros. Mas aqui na Bolívia, nesta área ele não é tão árido assim. Há alguma vegetação.
A 130 kms de Cochabamba começaram as curvas de serra. A estrada estava em obras. Mas até Cochabamba havia uma pista pronta. Foi um tapete e uma delícia de pilotagem em curvas nos Andes. Show!
Parei para tirar uma foto em um mirante da Serra nessa região.
Cheguei a Cochabamba por volta das 13 hs locais. Uma cidade grande e cumprida. É uma tripa. Já mais parecida com as cidades brasileiras apesar de estar a 2.600 metros de altitude.
Um trânsito infernal. Mas motoristas mais comportados em relação aos dias anteriores. Parecido com a Brasil.
Ingenuamente, pelo horário, decidi tocar viagem para Sta Cruz de La Sierra, distante 450 kms dali. Apesar de um conhecido meu e experiente em Bolívia falar para dormir em Cochabamba. Ele tinha razão…
Bem, fui. De Cochabamba a Sta Cruz é trecho de serra. Só que não é uma Mantiqueira da vida. São mais de 200 kms em Serra sendo o piso no estilo da Serra do Cafezal na Regis antes da melhoria. Coisa de louco. E a cada 1 kms ou menos havia desvios em terra e pedra devido a obras. Acho que foi o maior desafio que impus a coitada da V-Rod que gosta de tapetes….
Mas ela aguentou bem. Melhor que o piloto. O visual até é bonito. Há mais vegetação. E a medida que se descia, ela ficava mais densa e com jeito de mata mesmo.
A noite caiu, e eu ainda pilotei cerca de 150 kms entre desvios, terra, pedras, buracos e muitos caminhões. Hoje foi o dia do desafio!!
Abasteci a moto 4 vezes após La Paz. Tudo tranquilo. Em duas vezes paguei o preço de 8 bolivianos, sem o subsídio ao povo boliviano. Nas demais três vezes, paguei o preço de 3.7 bolivianos devido a não ter sistema. Ou seja, paguei cerca de 2 reais por litro. Não tive problema algum com abastecimento. Todos tranquilos e cordiais.
Cheguei em Sta Cruz de La Sierra por volta das 20 hs locais. Cidade muito parecida com Campo Grande. Quente pacas! E pareceu-me bem mais rica que La Paz. Passei por bairros até bem luxuosos.
Achei um hotel no centro. Entrei, pedi uma pizza e cai no sono.
Amanhã retorno ao Brasil por Corumbá.
Posto em Caracollo. Abastecimento tranquilo. Deixei um adesivo lá.Visual de serra pouco antes de Cochabamba.
Decidi aproveitar a oportunidade para conhecer La Paz.
A Bolívia é um país que desperta polêmicas. Uns gostam muito, outros não e muitos a temem.
La Paz está no alto do Altiplano andino. Há uma área grande da cidade que se chama El Alto, que é onde estou hospedado, e outra La Paz.
El Alto, como o próprio nome já diz, fica na parte alta da cidade. Um imenso planalto a pouco mais de 4 mil metros de altura.
Este planalto apresenta uma depressão e a urbanização “escorre” a abaixo neste vale. Aí está La Paz. É um relevo incrível de se ver. Assim como Cusco e Puno, aqui as construções são todas de tijolos a vista passando aquela impressão de “favelao” que tanto falam. Mas é só impressão, são casas dignas por dentro quase sempre. Devido ao clima, as pessoas tem por cultura não fazer este acabamento.
Hoje cedo fui até a estação de teleférico mais próxima (linha la morada) e peguei-o até o coração da cidade de La Paz. É um projeto bonito e muito adequado a tipologia da cidade. E visual de dentro dele é muito bacana. Para se ter uma base, fiz até baldeação, ou transbordo, como chamam aqui.
No centro de La Paz fui aos seguintes pontos:
1) Igreja San Francisco: outra igreja e convento impressionante pela sua riqueza e história. Construção começou em 1549…
2) Duas quadras atrás dessa igreja fica a famosa Calle de Las Bujas ou rua/mercado das bruxas. É uma rua onde se encontra todo tipo de souvenir e artesanato local e andino. Tudo que vi no mercado de Cusco estava aqui. Só que muito mais barato. Lugar para turistas. Curti.
3) Praça Murillo: é a praça onde fica o centro de poder da Bolívia. La está o senado, presidência de república, catedral nacional e diversos órgãos administrativos.
Andei bastante ali pela região e aproveitei para fazer algum câmbio, principalmente, para a gasolina de viagem até a fronteira com o Brasil. Havia uma manifestação grande ali, bem comportada por sinal, mas com muita gente pedindo melhor “securidad social”. Entendi ali que havia protestos amplos ligados a questão da previdência social e saúde. Creio que este dois assuntos são o que eles chamam de Securidad Social. Que, pelo jornais aqui, está quebrada. Igualzinho ao Brasil.
Depois voltei pelo teleférico pelo mesmo caminho de vinda.
Valeu a visita.
Cheguei as 15 horas no hotel para descansar e planejar a viagem dos próximos dois dias, dado meu GPS não estar confiável (pensei que tivesse dado um jeito nele em Cusco).
Teleférico. Linha la moradaEu na estação de transbordo para ir ao centroVista de La Paz de dentro da cabinePico nevado. Foto de dentro da cabine próximo ao centro da cidadeIgreja e convento de San FranciscoCalle de Las BrujasPresidência do Estado Plurinacional de BolíviaMonumento a paz na praça MurilloVista a partir de um parque em La PazConstruções todos com tijolos aparentes. Não fazem o acabamentoManifestação sobre “Securidad Social’
Hoje voltei a estrada após 2 dias e meio de bons momentos na região de Cusco. Foi bem legal.
Decidi alterar o trajeto de retorno e voltar pela Bolívia. Pelos seguintes motivos:
1) na vinda já tinha passado pelos pasos San Francisco (lado argentino) e Jama devido ao fechamento do primeiro. Ou seja, na vinda já fiz os principais pontos de todo o roteiro planejado. Dado isso, o retorno seria pelo exato mesmo caminho da vinda;
2) Nunca fui a Bolívia. É uma oportunidade de conhecer o local. Cortaria a Bolívia de Noroeste a Sudeste passando pelas cidades de La Paz, Cochabamba, Santa Cruz de la Sierra e entrando no Brasil por Corumbá.
3) É mais perto. Economiza 1.400 kms de estrada. Isso não é o mais importante, mas abaixa o custo da trip. Em comunhão com os demais pontos acima, ajudou em minha decisão.
Fui dormir cedo e acordei cedo. Aproveitei para organizar melhor a bagagem. Quem viaja de moto sabe a zona que fica uma bagagem depois de alguns dias. Tomei café e depois montei a bagagem na moto. Um verdadeiro processo.
Antes de ir embora, agradeci ao Paulino que me atendeu no Hotel Tambo. O cara foi muito bacana. Descolou lugar para minha moto e bagagem enquanto eu ia a Machu Picchu, me ajudou a conseguir transportes e entrar em grupo com guia. Enfim, resolveu minha vida ali. Abaixo uma foto minha com ele e um outro funcionário.
Peguei a estrada com a intenção de chegar a Desaguadero na divisa com a Bolívia. Acabei chegando em La Paz. Foram 640 kms hoje. A estrada rendeu bem. Até Juliaca ou Juli”nhaca” não parecia mais tão feia assim.
Optei por dormir em La Paz pois ela está a apenas 100 kms da fronteira. Cheguei na cidade em um belo final da tarde.
O GPS ainda está instável. Ele me deixou na mão bem na entrada de La Paz…o bicho pegou. Kkkkkk. Mas consegui chegar em um hotel numa região bem parecida com uma 25 de marco no subúrbio da cidade.
O visual da região da fronteira Peru / Bolívia envolve a imensidão do lago Titicaca e picos nevados do lado boliviano. Muito bonito.
A parte engraçada do dia foi o meu primeiro abastecimento ainda em Cusco. Ao parar a moto no posto, um cachorro com um jeito simpático veio até mim e se sentou ao lado da moto quietinho e me olhando durante o abastecimento. Até brinquei com ele. E, quando liguei a moto e sai do posto, ele veio correndo e conseguiu morder a minha perna. Pegou na região do cano alto da bota. Esse aí teve uma estratégia boa e conseguiu seu objetivo. Fui enganado direitinho!
Sobre a Bolívia: foi a aduana mais moderna, rápida e onde tive o melhor atendimento. Ponto positivo e inesperado pela fama. Falantes e simpáticos.
A estrada entre a fronteira e La Paz é um tapete! Muito melhor que quase todas que peguei até agora no Chile e Peru. E visual incrível.
Estou pensando em ficar amanhã aqui em La Paz para conhecer o mercado das bruxas, o teleférico e o centro histórico. Vamos ver…
Trajeto de retorno via Bolívia. 3.500 kms
Eu e o pessoal do Hotel Tambo de Cusco
Cartão do Paulino. Fica como referência minha de quem for a Cusco
Moto e o Lago Titicaca no Peru com as montanhas bolivianas ao fundo
Numa viagem de moto o que mais importa é desfrutar o caminho, mas, neste caso, o destino contribuiu bastante.
Subi a cidade Sagrada num belo e ensolarado dia. O guia do grupo era especial. De forma divertida nos passou muito conhecimento ao longo do passeio.
Uma experiência extraordinária!
Amanhã, de volta às estradas! Tava sentindo falta já. Kkkkkk
Rumo a cidade de Desaguadero, fronteira Peru / Bolívia.
Ruas de Águas CalientesMonumento em Águas CalientesMachu Picchu merece carimbo no passaporte!Foto tradicional de Machu PicchuEu e a LhamaMontanha Huayna Picchu ao fundoVisual das plataformas em MP usadas para agricultura
08/06/2019
Hoje é o primeiro dia sem moto. Ao acordar testei novamente o GPS e parece que está legal. Depois fui para o café da manhã. Uma curiosidade comigo aqui no Peru. Todo café que pedi até agora veio gelado. Tenho que pedir para esquentar. Fica uma porcaria de qualquer forma. Kkkkkkkk. A programação hoje era ficar em Cusco até às 16hs. Depois pegar uma van até Ollantaytambo e, de lá, um trem da Peru Rail até Águas Calientes com chegada prevista para as 21hs. O pessoal do hostal que estou me quebrou um baita galho. Permitiu que eu deixasse a moto lá e também grande parte de minha bagagem. E isto tudo sem cobrar diária, pois amanhã, quando voltar deste passeio a Machu Picchu, ficarei neste mesmo hostal. Pela manhã aproveitei para conhecer mais Cusco. Fui inicialmente na rua onde está a famosa pedra dos 12 ângulos. É uma pedra encaixada perfeitamente em um muro do século 12. Isto mostra a perfeição da obra do povo Inca. Dizem que mesmo sem argamassa, não passa nem água de tão perfeito que é o encaixe. Depois fui caminhar pelo bairro de San Blas, tradicional destino turístico. Muito bacana. Similar a rodar pelas ruas e vielas de Tiradentes em MG. De lá fui ao mercado central, San Pedro. Mercado típico com comércio de artigos locais e alimentos. Bem grande e tomado por turistas. Depois, passei pela igreja de San Francisco e suas catacumbas logo após fui para o Hostal arrumar a mochila para o passeio de 1 dia até Machu Picchu. Foi uma boa decisão ter deixado a moto em Cusco e vindo de van. Estrada cheia de buracos e trechos de terra cheio de pedras. A V-Rod não ia curtir muito. Para compensar a estrada, o visual foi mudando de clima árido para montanhas com vegetação. A estrada passa por um vale de montanhas bem altas por perto e ao lado.Curti muito Cusco. Cidade muito legal (região do centro histórico). Obviamente, como cheguei de moto, vi que o entorno é quase que uma Juli”nhaca”. Ou seja, os antigos construíram aqui cidades melhores e mais bonitas que os Zé Manés de hoje. Gritante a diferença.Amanhã, subida a Cidade Sagrada.
Pedra dos 12 ângulos
Placa no bairro San Blas
Praça San Blas
Mercadao
Lhama e Alpaca
Trem para Águas Calientes – Estação de Ollantaytambo
Estava 2 graus abaixo de zero quando eu acordei hoje em Puno.
Havia gelo no banco quando cheguei na moto para amarrar a bagagem. A coitada passou frio. Mas ligou normalmente.
Iniciei a viagem por volta das 8 da manhã. 400 kms separam estas duas cidades. Mas, é uma viagem que não rende bem.
Após uma hora de viagem, cheguei a cidade de Juliaca. Sem sombra de dúvida o lugar mais feio e caótico que eu já vi na vida. Agora entendo porque alguns viajantes de moto a chamam de Juli”nhaca”. Pense numa grande feira a céu aberto, onde o piso é todo esburacado e com terra e no meio disso tudo tem Tuk-tuks, motoristas de vans alucinados, pedestres correndo e bichos…feio demais. Não era questão de receio de violência, era a zona que era aquele lugar. Em termos de educação, achei o motorista peruano o pior até agora. Somos “gentlemen” perto deles.
De Juli”nhaca” até Cusco a estrada não é boa, mas o visual sim. Muita trepidação e um número absurdo de redutores de velocidade, creio devido ao fato de haver muitos povoados.
A viagem sempre se situou entre os 3.800 e 4.200 metros. Hoje não senti a indisposição de ontem, talvez, esteja começando a me habituar a altitude.
Cheguei em Cusco as 15 hs após algum sofrimento devido a estar sem o GPS e ao trânsito maluco daqui.
Cheguei, logo já fui a praça das Armas fazer um registro. Depois, achei um hotel no centro a um bom preço dado a região (cerca de 85 reais a diária). A moto está no corredor ao lado do quarto.
Após isto sai para andar no centro histórico de Cusco. Fiquei surpreendido com a beleza da região. Fui em umas 5 igrejas que creio não ter visto nada tão grandioso e luxuoso. É cedro, prata e pinturas em grandes volumes e com detalhes absurdos. Incrível!! Pena não poder tirar fotos.
Rodei bem o centro. Quantidade muito grande de turistas estrangeiros. Um astral muito legal.
Amanhã ao final do dia vou para Águas Calientes de trem, dormirei lá e, no domingo subirei a Machu Picchu pela manhã. Segunda início o retorno.
A moto está show de bola, foi melhorando sua performance de consumo ao longo desta trip. Óleo, fluído refrigerante e pneu tudo em ordem. Nem precisei mexer.
Agora a pouco resolvi mexer no GPS. Eu o desmontei remontei. E nao é que o bicho voltou a funcionar? Vamos ver se se mantém.
Mexi no GPS pois começo a considerar voltar pela Bolívia, dado eu não conhece-la e por ser pouco mais perto. Pois a volta que havia planejado não mais será por caminho novo, dado que fui aos dois Pasos Fronteiriços planejados na vinda. Voltaria pelo exato mesmo caminho.
Hoje rodei cerca de 500 kms. Sai de Arica por volta das 7:30. Estava com uma leve garoa e com o piso todo molhado. Trânsito realmente caótico. Parece até que querem te acertar. Mas é o jeito daqui mesmo. Tem que usar muito o espelho senão te derrubam. Enchi o tanque na saída da cidade e já peguei a ruta 1S. Nos primeiros 50 kms pilotei com uma neblina bem úmida que chegava a molhar o parabrisas. O engraçado é que estáva em pleno deserto (e aqui ele é aquele do tipo arenoso com muitas dunas). Percebi que isto era comum aqui. Muitas placas alertando para neblinas. A estrada até Moquegua é muito boa. Bem similar a chilena. Entretanto, nos trechos de serra o asfalto fica pior e trepida mais. Aliás, hoje peguei a maior Serra da minha vida motociclística. Sai de 700 metros e fui a 4600 metros. Visual lindo. Deserto e montanhas. Parecia que não acaba e não parava de subir. Woloco meu!! Ocorre que no trecho há uma grande serra (a primeira) e depois fica-se numa gangorra de desce serra e sob serra. Sempre na casa entre os 3.500 e 4.600 metros. Eram tantas curvas nesse trecho que acho que arredondei meus pneus novamente. Tive que parar por duas vezes devido ao cansaço. Acho que o esforço de curvas na altitude foi me desgastando. Em alguns momentos estava me sentindo bastante sufocado. Numa destas paradas para descanso, percebi que uma das setas não estava funcionando. Já saquei meu WD40 e já dei um jeito. Voltou a funcionar. Cheguei a Puno, destino do dia, as 14:30 e já fui direto para o porto do lago Titicaca. Por sorte estava saindo um barco de passeio para os Uros do lago. Parei a moto no deck do porto, pedi a um tio ali para tomar conta e fui pro barco ainda de capacete. Este passeio é obrigatório aqui. O Lago Titicaca é um dos maiores do mundo, além de ser o mais alto (3.800 metros de altura). Os Uros são ilhas artificiais habitadas feitas de Totora. Diz a história que os antigos incas fizeram isto para se proteger de invasores. Muito interessante. Depois do passeio fui para um Hostal bem conhecido por brasileiros que viajam de Moto: Hostal Pacha. Comi um Pollo com salada e coca cola na esquina e vim descansar. Amanhã vou pra Cusco e devo passar os próximos dias por lá.